sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Raiva é uma zoonose que continua fazendo vítimas


A raiva é uma doença infecciosa capaz de ser naturalmente transmitida entre animais e seres humanos. A evolução desta doença é muito rápida após o surgimento dos primeiros sintomas. Apesar de ser conhecida desde a antiguidade, a raiva ainda não tem cura e continua fazendo vítimas. Animais silvestres como morcegos, por exemplo, podem infectar cachorros, gatos, vacas e humanos.

A raiva é causada por vírus do gênero Lyssavirus, da Família Rhabdoviridae. É caracterizada como uma encefalite progressiva aguda, de distribuição mundial, que acomete os mamíferos. Sua transmissão ao ser humano ocorre pelo contato com a saliva de animais infectados com o vírus e, geralmente, a infecção se dá por meio de mordeduras, podendo também ser por meio de arranhaduras ou lambeduras.

Em um primeiro momento, os sintomas podem estar relacionados à depressão, ansiedade, agressividade e demência. Quando a doença se agrava, o animal apresenta dificuldade de engolir, salivação, descontrole muscular e paralisia. Os sintomas aparecem entre dez dias e seis semanas após o animal contrair o vírus da raiva, mas variam conforme o tipo da doença.

O professor. Dr. Sílvio Arruda Vasconcellos, secretário-geral do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), alerta que, em animais, a raiva passou a apresentar sinais diferentes dos observados no passado, o que pode acarretar a identificação tardia da zoonose e uma perda no aspecto preventivo. "A clássica agressividade nos animais infectados não tem sido observada. Já paralisias, salivação e ausência de apetite são sinais considerados mais comuns na atualidade", ressalta o veterinário.

A raiva furiosa era o tipo mais comum. Na primeira fase da doença, chamada de prodrômica e que tem duração de um a três dias, o animal tende a se esconder em locais escuros, a ficar agitado repentinamente, a latir muito, a ser desobediente e a comer tudo o que vê pela frente.

A fase seguinte dura um dia e é aquela na qual a agressividade se manifesta com mais intensidade. O cão pode atacar seu tutor, outros animais e até mesmo se automutilar, provocando ferimentos. Ele também para de comer e de beber água e saliva muito.

A terceira e última fase da doença é a mais crítica, pois o animal começa a sofrer convulsões generalizadas e entra em estado paralítico. Em até 48 horas, ele falece.

Na raiva muda, a diferença é que a segunda fase da doença, de maior agitação e agressividade, não ocorre. O cão fica mais calmo e deprimido, não come e não bebe, mas em pouco tempo sofrerá com as convulsões e paralisias.

Já os sintomas da raiva intestinal, que é a mais rara de todas, são bem diferentes. O animal não apresenta uma mudança brusca de comportamento, mas passa a ter vômitos e cólicas frequentes até a morte, que acontece em apenas três dias.

A população também deve estar atenta aos morcegos. O médico-veterinário Sílvio Arruda Vasconcellos, secretário-geral do CRMV-SP afirma que, no Brasil, foi identificado que o vírus circula entre os que se alimentam de frutas. Eles podem aparecer em residências, ruas e praças, por exemplo. "Estes morcegos podem cair em locais em que transitam pessoas, cães e gatos, o que facilita a ocorrência de mordidas acidentais, por meio das quais pode haver transmissão do vírus", frisa o Dr. Sílvio Arruda Vasconcellos

Segundo a professora Dra. Valéria Gentil de Tommaso, que integra a Comissão Técnica de Políticas Públicas do CRMV-SP e atua no Instituto Pasteur, a mudança no perfil clínico da doença está atrelada ao fato de que, desde 1998, a variante 2 (canina) do vírus rábico não circula. "Houve, apenas casos isolados em cães e gatos, com variantes de morcegos."

De 2002 a 2020, no estado de São Paulo, foram registrados 13 casos de raiva em cães e 20 em gatos. "O número é relativamente pequeno, porém, não podem ser desconsideradas subnotificações ou, ainda, a não detecção de casos, uma vez que houve mudança no perfil clínico da doença", diz a Dra. Valéria Gentil de Tommaso.

A raiva é uma doença cruel e fatal, mas tem prevenção. A aplicação da vacina é indicada para ser realizada anualmente por toda a vida, tanto para cães como para gatos. A antirrábica é a partir de 12 semanas para cães e dos quatro meses em gatos. Uma alimentação balanceada é sempre muito importante: proteínas de alta qualidade, vitaminas C e E, minerais e gorduras boas, como óleo de peixe, estimulam o sistema imunológico a trabalhar mais rápido na produção de células de defesa no organismo.

A vacinação é responsabilidade e dever do tutor. Com o auxílio de um médico veterinário e uma carteirinha de vacinação em dia, seguindo o calendário estabelecido, é possível ter o controle sobre a saúde dos animais de estimação. A vacinação beneficia não só a saúde do animal, mas também previne a disseminação de algumas outras doenças transmissíveis.

Autoria: Vininha F. Carvalho  

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Adotar um animal deixa a vida do tutor mais equilibrada e feliz


A amizade com um animal de estimação é um exemplo perfeito de amor e lealdade. O amor incondicional proporciona muita alegria e, faz com que ao lado dele a pessoa esqueça os problemas cotidianos.

Eles ensinam que através do amor verdadeiro, outros bons sentimentos florescem, deixando a vida do tutor muito mais equilibrada e feliz.

Aproveitar cada minuto ao lado do animal adotado é muito gratificante, mesmo porque a vida dele não é muito longa. A castração favorece a expectativa de vida e, traz vários benefícios para a saúde dos animais de estimação, como redução das doenças relacionadas ao trato reprodutivo e diminui o risco da gravidez indesejável, que lamentavelmente provoca o aumento do abandono de animais.

Vale ressaltar que os cuidados para garantir a longevidade iniciam no tratamento adequado dispensado ao filhote, sendo necessário oferecer sempre um ambiente saudável, para que ele possa crescer e envelhecer dignamente.

Segundo Laís Cauner, comportamentalista canina e adestradora, -"os cães se pautam pela postura dos tutores ao lidar com o mundo a sua volta, assimilando seus hábitos e, se espelhando em suas atitudes. A sensibilidade canina é maior do que é suposto. Eles são excelentes leitores de gestos e sinais. Calma e assertividade para traduzir a comunicação com o cão garantirão que ele não vai tentar ocupar o lugar do tutor nesse relacionamento. Afinal eles amam seguir um mestre".

De acordo com o Instituto Pet Brasil, os brasileiros estão cada vez mais convivendo com os gatos. Afinal, esse foi o animal de estimação que mais cresceu em quantidade nos lares, com alta de 8,1% desde 2013. Outro dado que comprova essa realidade é a quantidade de gatos no país, segundo o IBGE, já são mais de 22 milhões de gatos no país, e a expectativa é ultrapassar 30 milhões até 2022.

Ao conviver com os gatos, os tutores percebem o quanto há em comum entre a personalidade dos gatos e as suas, o que deixa essa relação ainda mais fascinante e atrai o interesse de pessoas de todas as idades.

Neste ano, a campanha educativa do Dia Nacional de Adotar um Animal, a ser comemorada no dia 4 de outubro comemora a vigésima edição". O lema 'troque o D de doação pelo B de boa ação' a cada edição se fortalece, provando que é possível ajudar os animais, adotando um cão ou gato, e, ainda, prestar uma homenagem concreta a São Francisco de Assis, o verdadeiro protetor dos animais.


Fonte: Vininha F. Carvalho - jornalista e editora do Animal Livre News.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Vacinação contra a raiva é responsabilidade e dever do tutor


A raiva é uma zoonose, ou seja, é uma doença infecciosa capaz de ser naturalmente transmitida entre animais e seres humanos. Apesar de ser conhecida desde a antiguidade, a raiva ainda não tem cura e continua fazendo vítimas.

A raiva é uma doença causada por vírus, do gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridae. É caracterizada como uma encefalite progressiva aguda, de distribuição mundial, que acomete os mamíferos. Sua transmissão ao ser humano ocorre pelo contato com a saliva de animais infectados com o vírus e, geralmente, a infecção se dá por meio de mordeduras, podendo também ser por meio de arranhaduras ou lambeduras.

As variantes antigênicas mais encontradas no Brasil são: variantes 1 e 2, isolada dos cães; variante 3, de morcego hematófago Desmodus rotundus; variantes 4 e 6, de morcegos insetívoros. No Estado de São Paulo nunca houve circulação da variante 1. Quanto à variante 2, não há circulação desde 1999. Cada país possui o seu grupo de vacinas essenciais, e isso varia de acordo com a casuística de cada região.

Animais silvestres como morcegos, por exemplo, podem infectar cachorros, gatos e humanos por meio da troca de secreções, contato sanguíneo ou, claro, uma mordida.

Os sintomas podem estar relacionados à depressão, ansiedade, agressividade e demência. Quando a doença se agrava, o animal apresenta dificuldade de engolir, salivação, descontrole muscular e paralisia.

Com uma falsa sensação de erradicação da raiva, pelo controle de muitos anos por meio da vacina, muitos tutores pararam de vacinar seus pets anualmente, o que pode ser arriscado para o retorno da doença. A campanha de vacinação gratuita de cães e gatos contra raiva, normalmente é promovida no mês de agosto, mas neste ano poderá ser adiada devido a pandemia do Covid-19..

A vacinação é obrigatória, pois é única forma de prevenção da raiva. A vacinação beneficia não só a saúde do animal, mas também previne a disseminação da doença. A vacinação é responsabilidade e dever do tutor.

"A raiva apresenta praticamente 100% de letalidade e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em mais de 95% dos casos humanos a transmissão ocorre por agravos causados por cães infectados", argumenta a médica-veterinária Luciana Hardt Gomes, que integra a Comissão Técnica de Saúde Pública Veterinária do CRMV-SP.

Em caso de suspeita de raiva atendidos em estabelecimentos médico-veterinários particulares, os médicos-veterinários devem notificar formalmente o poder público municipal, por meio do Centro de Controle de Zoonoses.

Após o período de incubação da doença, que tem uma média de 45 dias nos humanos, alguns dos sintomas da raiva são mal-estar geral, aumento de temperatura, dor de cabeça, dor de garganta, irritabilidade e sensação de angústia. A pessoa se mantém consciente, com período de alucinações, até a instalação de quadro comatoso. A evolução de piora do quadro clínico, após o surgimento dos primeiros sinais e sintomas da doença, pode levar a pessoa a óbito num prazo de até 2 a 7 dias.

O soro antirrábico é usado para o tratamento em situações emergenciais, quando uma pessoa é mordida por um animal que pode estar infectado, porque contém anticorpos e age rapidamente.


Fonte: Vininha F. Carvalho - jornalista e editora do Animalivre News.

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Viver mais e com maior qualidade de vida aproxima os idosos ao amor incondicional dos animais


O aumento do número de idosos é uma tendência mundial e o Brasil acompanha de perto essa enorme mudança na pirâmide etária. Junto dessa transformação, surgem diversos fatores a serem trabalhados, entre eles, a solidão na velhice. A mudança de padrão de vida e a sensação de perda de utilidade social são gatilhos importantes geradores de depressão e posterior isolamento.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2000, mostrou que a população idosa com mais de 60 anos era de 14,5 milhões de pessoas, teve um aumento de 35,5% diante dos 10,7 milhões em 1991. Hoje esse número ultrapassa os 29 milhões e a expectativa é que, até 2060, suba para 73 milhões com 60 anos ou mais, o que representa um aumento de 160%.

Os idosos que têm independência física e mobilidade preservada preferem, majoritariamente, morar sozinhos a dividir espaço com filhos, pois a autonomia e a liberdade adquirida vêm se mostrando como uma grande colaboração para a manutenção da longevidade. Os animais de estimação, fiéis companheiros, são sempre considerados como grandes aliados para espantar a solidão.

O Brasil lidera os casos de depressão na América Latina. A doença acomete 5,8% da população, ou seja, 11,5 milhões de brasileiros - de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No âmbito global, o número de casos cresceu mais de 18% nos últimos 10 anos. A Pesquisa Nacional de Saúde, conduzida em 2013, apontou que no país, as pessoas com idade entre 60 e 64 anos, início da velhice, são as mais acometidas pelo mal psiquiátrico.

Professores da Universidade de Michigan (EUA) constataram que a busca por um novo amor também serve como um antídoto para a depressão. O amor é o segredo do envelhecimento saudável e feliz.

Segundo pesquisadores de Harvard, um alto nível de satisfação com os relacionamentos aos 50 anos é um indicador de boa saúde física muito mais do que os níveis de colesterol. Pessoas solitárias estão mais sujeitas a uma morte precoce do que aqueles que cultivam fortes laços de amizade e confiança nas suas relações.

Na ausência temporária dos filhos e netos, um cachorro ou um gato podem dar uma carga extra de ânimo aos idosos. De acordo com uma pesquisa publicada pelo National Center Biotechnology Information, dos Estados Unidos, pessoas da terceira idade que têm animais em casa reportam maior bem-estar físico e psicológico.

A médica-veterinária Cristiane Pizzuto, presidente da Comissão Técnica de Bem-estar Animal do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), confirma que o pet é uma ótima forma de companhia. "Muitas vezes o pet acaba exercendo essa função de objetivar a vida do idoso quando ele está sem atividades, pois ele terá que cuidar do pet", analisa.

A interação do animal com o humano é extremamente benéfica, tanto para o idoso quanto ao pet. "Essa relação desencadeia inúmeros processos fisiológicos, liberação de hormônios do prazer, que são essenciais em todas as faixas etárias, em especial na terceira idade. Poder proporcionar alegria ao idoso também gera impactos positivos à saúde do pet", acrescenta a médica-veterinária.

Viver mais e com maior qualidade de vida é a meta, portanto, entender o processo de envelhecimento e as atitudes que podem e devem ser tomadas em busca da felicidade é sempre o melhor caminho.


Fonte: Vininha F. Carvalho - jornalista e editora do Animalivre News.