quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Animais podem nos ensinar muito sobre os seus verdadeiros sentimentos

                                  

O ambiente em que o cão vive e sua relação com o tutor pode afetá-los profundamente, desenvolvendo distúrbios de comportamento permanentes. Os comportamentos compulsivos são muito difíceis de serem tratados, uma vez estabelecidos. Existem várias fontes de estresse na vida dos cães.

Confinamento prolongado que leva à falta de estímulos precisa ser evitado, embora uma rotina saudável precise ser estabelecida. Se os tutores trabalham fora o dia inteiro e deixam o cão sozinho, ele terá mais dificuldade para desenvolver seu comportamento canino normal.


Os cães são muito sensíveis a relacionamentos instáveis, mudanças no grupo social e em alterações em sua própria posição social. Conduzir uma relação equilibrada propicia um comportamento tranquilo no animal. Se um cão forma laços tão fortes com seu tutor ao ponto de se sentir inseguro longe dele, acabará desenvolvendo a ansiedade de separação, um distúrbio grave que provoca muito sofrimento, alguns choram desesperadamente.

Animal que convive somente ao lado de seres humanos, afastado totalmente de seus semelhantes, está mais sujeito a manifestar problemas de comportamento. O estresse pode durar por períodos curtos, e uma vez removido, o cão volta a sua rotina normal. Se, por outro lado, a situação se prolongar, os danos podem ser irreversíveis.

Os cães estressados podem ficar repetindo o mesmo comportamento várias horas por dia, sem parar, mesmo que a causa original do estresse não esteja mais presente. Pode chegar até ao que chamamos desordem compulsiva, conhecida em humanos como TOC, ou Transtorno Obsessivo Compulsivo, onde o cão realiza o comportamento enquanto estiver acordado, só parando ao adormecer. Alguns lambem uma parte do corpo, outros andam em círculos, ou latem no mesmo tom e volume sem parar.

O importante é identificar se o animal está manifestando algum comportamento compatível com estresse e tentar eliminar a fonte do problema. Se o cão lambe muito algum lugar do corpo, é necessário repreendê-lo e, assim que ele parar, recompensá-lo. Desviar sua atenção do comportamento com uma brincadeira bem interativa é uma boa opção.

Infelizmente, pode acontecer que a raiz do problema esteja na condição de vida imposta pelo tutor, um local inadequado e sem o mínimo de carinho. Existem relatos de cães com dermatites crônicas que mudaram de ambiente e foram completamente curados.

A maneira correta para os tutores prevenirem o estresse é criar uma rotina saudável para o animal. Exercício diário é fundamental, cães que conseguem gastar bastante energia são mais equilibrados.

O convívio com um animal nos compromete a cuidar de algo fora de nós mesmos. Nos impulsiona a tentar suprir as necessidades deste ser tão indefeso. Este tipo de relacionamento entre os humanos e os animais esta alicerçado na generosidade, onde o resultado obtido este diretamente relacionado à dedicação e o amor que investimos.

Está comprovado cientificamente que ter um animal em casa contribui muito para a qualidade de vida, mas eles não podem ser vítimas de uma vida vazia, precisa de companhia, equilíbrio emocional e físico, assim como todos os seres vivos, merece serem felizes.

O papel do médico veterinário, hoje em dia, não deveria ser apenas realizar diagnósticos e promover à cura as doenças, mas deveria cuidar do bem-estar de seus pacientes. E quando o animal chegasse a clínica , para a primeira consulta , a pergunta deveria ser :- "este animal é feliz?" - A partir daí, muitos males poderão ser evitados ou adequadamente tratados.

Os animais podem nos ensinar muito sobre os seus verdadeiros sentimentos, basta apenas ter sensibilidade para deciframos suas atitudes.



Autoria:  Vininha F. Carvalho

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

CFMV aprova resolução que define maus-tratos a animais e orienta profissionais


Nesta segunda-feira (29/10), o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) publicou a Resolução nº 1.236, que institui o regulamento para conduta do médico-veterinário e do zootecnista em relação a constatação de crueldade, abuso e maus-tratos aos animais.

Pela primeira vez, uma norma brasileira traz conceitos claros e diferencia práticas de maus-tratos, de crueldade e de abuso. O objetivo é fortalecer a segurança jurídica, auxiliar os profissionais que atuam em perícias médico-veterinárias, bem como servir de referência técnica-científica para decisões judiciais relacionadas aos maus-tratos praticados contra animais.

Dessa forma, a resolução define que maus-tratos são atos ou até omissões que provoquem dor ou sofrimento desnecessários aos animais.

Já crueldade é submeter o animal a maus-tratos de forma intencional e/ou de forma continuada.

E abuso é qualquer ato intencional que implique no uso despropositado, indevido, excessivo, demasiado, incorreto de animais, causando prejuízos de ordem física e/ou psicológica, incluindo os atos caracterizados como abuso sexual.

- Maus-tratos:

Os indicadores de bem-estar animal (nutricionais, ambientais, sanitários e comportamentais), que podem variar de acordo com a espécie animal e com a situação em que se encontram, compõem um instrumento reconhecido para o diagnóstico de bem-estar animal e abrangem os principais aspectos que influenciam a qualidade de vida do animal.

Os médicos veterinários e zootecnistas, quando capacitados em etologia e bem-estar animal, são profissionais habilitados para o diagnóstico do grau de bem-estar dos animais.

Diante desses indicadores, considerando que os animais são seres sencientes, com capacidade de sentir; e atendendo ao apelo da sociedade para a promoção do bem-estar animal, a resolução do CFMV em seu artigo 5º traz 29 itens do que são considerados maus-tratos.

Entre eles, o abandono de animais. “Deixar o tutor ou responsável de buscar assistência médico-veterinária quando necessária”. Significa que o médico-veterinário deve prevenir práticas de abandono de animais por meio de orientação para a guarda responsável.

Para não ser considerado maus-tratos, a resolução do CFMV recomenda que quando os animais precisam ser submetidos a condições estressantes, que provoquem certo grau de sofrimento e por período transitório, é mandatória a adoção de medidas de mitigação, a exemplo das boas práticas no transporte de animais vivos.

Também são considerados maus-tratos manter animais em número acima da capacidade de provimento de cuidados para assegurar boas condições de saúde e de bem-estar animal, exceto nas situações transitórias de transporte e comercialização; submeter o animal a atividades excessivas por coerção ou esforço físico por mais de quatro horas, sem descanso água ou alimento.

Nesse rol também está contemplada a alimentação forçada, técnica para provocar a degeneração gordurosa do fígado para a produção de foie-gras. A partir de agora, com a resolução, a prática é considerada maus-tratos, exceto quando para fins de tratamento prescrito por médico-veterinário.

- Denúncia:

O profissional que constatar ou suspeitar a prática de crueldade, abuso ou maus-tratos, deve registrar em prontuário médico, indicando responsável, local, data, fatos e situações, finalizando com assinatura, carimbo e data do documento.

Além disso, o profissional deve enviar o relatório médico ao Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) de sua circunscrição, por qualquer meio físico ou eletrônico, para registro temporal, podendo o CRMV enviar o respectivo documento para as autoridades competentes.

E se a pessoa envolvida na suspeita for médico-veterinário ou zootecnista?

A lei é para todos e não exime o médico-veterinário ou zootecnista de arcar com as consequências éticas além de penais, pois ambos os profissionais dispõem de códigos de ética que proíbem a prática de maus-tratos e os obriga a preservar o bem-estar animal.

CRMVs - Neste caso, além de denunciar nos órgãos competentes (Polícia, Ministério Público, Ibama e Secretarias de Meio Ambiente), a denúncia deve ser encaminhada para o CRMV do estado em que a situação foi observada, uma vez que são os responsáveis por apurar os fatos e fiscalizar o exercício legal da profissão nos estados.

Após apuração, se houver indícios de maus-tratos, o CRMV abrirá um processo ético-profissional. Compete ao CRMV onde o profissional está inscrito o julgamento dos processos disciplinares, em primeira instância, bem como a aplicação das penalidades previstas no artigo 33, da Lei nº 5.517.


CFMV - Ao Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) cabe julgar os processos disciplinares em segunda e última instância, a partir dos recursos interpostos contra decisões proferidas pelos CRMVs, conforme Resolução CFMV nº 875, de 12 de dezembro de 2007, que aprova o Código de Processo Ético-Profissional.



Fonte: Assessoria de Comunicação do CFMV

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Dia Nacional de Adotar um Animal será comemorado pelo 18º ano consecutivo


A solução dos problemas que afligem os animais envolve primordialmente a conscientização. É preciso despertar as mentes e o envolvimento sentimental das pessoas, coisas que o dinheiro não compra, necessitam ser conquistados através de um trabalho sério e responsável, caracterizado pela transparência e credibilidade.

Divulgar os princípios da posse responsável e estimular a adoção é um excelente caminho, permitindo que cada vez mais pessoas tomem conhecimento das ações que estão sendo desenvolvidas pelos verdadeiros protetores dos animais. Os resultados são sempre muito positivos e incentivarão o exercício da cidadania no próximo dia 4 de outubro.

Infelizmente o abandono está aumentando no Brasil, inclusive raça pura e pedigree já foram garantia de conforto e bons tratos para cães e gatos. Não são mais. Atualmente, 30% dos bichos abandonados tem raça definida.

Os motivos para o abandono variam muito. Pode ser ocasionado pela mudança de casa ou o envelhecimento do animal ou simplesmente porque a pessoa descobre que não tem condições e nem disposição para criá-lo.

A aplicação de uma política nacional que vise controlar a superpopulação, implantando leis que especifiquem as responsabilidades do tutor, somada a um eficiente trabalho desenvolvido pelos CCZs, garantiria uma qualidade de vida para os animais..

As pessoas que adotam os animais abandonados devem estar cientes que precisam oferecer uma condição de vida digna. Resgatar os animais, sem poder oferecer a eles uma qualidade de vida, envolvendo: atenção, higiene, cuidados veterinários, alimentação saudável e principalmente espaço para eles se movimentarem, não é uma atitude correta. Antes de levar o animal para a casa é preciso estar consciente que ele estará criando uma dependência de seus cuidados e que não poderão ser rejeitados nunca mais.

O adotante precisa saber que o animal necessita ser protegido, sem perder a identidade. Jamais deve-se amontoar animais em casa, como se eles fossem seres inanimados, Eles precisam se sentir bem no local, caso contrário podem ficar doentes ou muito agressivos. É preciso respeitar a liderança criada entre eles, tudo precisa ser muito bem planejado, para evitarmos que uma ação que parece ser muito bem intencionada se transforme num sofrimento devido a brigas constantes.

O dia 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis, o verdadeiro protetor dos animais se consagrou como o Dia Nacional de Adotar um Animal. Existem milhares à espera de uma chance. Uma chance de encontrar comida, um teto, saúde e carinho. Enfim, de encontrar uma família, que possa tratá-los com respeito e dignidade.

A  minha proposta ao idealizar esta iniciativa é conseguir conscientizar as pessoas nos mais variados segmentos da sociedade . Ver florescer no coração das pessoas sensíveis a vontade de promover a adoção responsável e produzir excelentes resultados em prol dos animais. O lema desta campanha educativa é:-"Plante a semente da caridade. Colha os frutos do amor".



Autoria: Vininha F Carvalho


quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Animal doente requer tutor consciente para se recuperar



Muitas pessoas acreditam que para ser considerado um tutor de um animal de estimação basta ter uma casa ampla e recursos financeiros para garantir o pagamento de funcionários, as consultas no veterinário e a aquisição de alimentos e medicamentos. Mas, isto não representa a realidade, é necessário estar disposto a amar e sofrer, proporcionando grande vínculo afetivo nos momentos que o animal precisar, ou seja, jamais abandoná-lo quando estiver doente. Às vezes as pessoas não reconhecem a importância do amor incondicional e se esquecem de que eles são seres muito especiais, e devem ser tratados com carinho neste momento.

Os animais entendem a situação dos tutores, em caso de sofrimento, e com frequência tentam oferecer conforto ou apoio para tentar ameniza-lo. É comum os animais colocarem sua sensibilidade em prática. Alguns são capazes até de identificar sintomas de doenças graves.

Um estudo realizado pela Universidade da Pensilvânia identificou que alguns cães são capazes de identificar o câncer de intestino, pele, ovário, bexiga, mama e pulmão. Eles mostram agitação quando percebem que o tutor está doente, devido ao fato das 220 milhões de células olfativas presentes no focinho canino. Quando um cão fareja em busca de câncer ele encontra compostos orgânicos voláteis emitidos pelo tumor (VOCs).

Max, um cão da raça colllie detectou o câncer de sua tutora Maureen. Ele estava se mostrando muito desanimado. Numa oportunidade, encostou a cabeça no peito dela e ficou desesperado. Ela que já suspeitava do problema, compreendeu a mensagem e foi ao hospital, onde realizou alguns exames, cujo resultado apresentou câncer de mama. O tumor foi retirado e o cão voltou a ficar alegre.

A impressionante fidelidade dos cães já foi destaque no cinema. A história de Hachiko, o cão que esperava seu tutor chegar do trabalho, todos os dias, na mesma hora na estação de trem em que ele chegava é um exemplo típico. O tutor sofreu infarto enquanto estava trabalhando e morreu. A partir desta data ele não voltou mais, mas Hachiko continuou o esperando, fez isso durante nove anos, até morrer também. As pessoas que acompanharam essa história o homenagearam com uma estátua, no lugar em que permaneceu esperando o seu tutor, na estação de Shibuya, no Japão.

Casos como estes citados, nos deixam impressionados como a lealdade expressada pelos cães é uma característica rara e, que merece ser muito valorizada. Isso contraria os que pensam que para ter um animal em casa basta simplesmente pagar a comida, remédios e fazê-lo balançar o rabo quando o encontra. Eles necessitam de muito mais que isto para terem respeitados seus direitos.

Não existem mais dúvidas sobre a senciência dos animais. Ele tem capacidade de sentir dor ou prazer. As pessoas devem tomar consciência de que tratar os animais com dignidade não é caridade, mas representa cumprir um direito a eles pertencente. A ética estabelece que eles devam ser respeitados e o amor dedicado retribuído à altura. Atualmente vêm ganhando cada vez mais espaço, a ideia que a presença do tutor ao lado de um animal doente aumenta muito a possibilidade da sua recuperação. Os sentimentos mais nobres são o melhor complemento para ele superar a doença e voltar a ser feliz no seu lar.

Lembre-se: 4 de Outubro é o Dia Nacional de Adotar um Animal



Autoria: Vininha F. Carvalho