terça-feira, 30 de março de 2021

Época de Páscoa levanta debate sobre bem-estar de coelhos


A Páscoa não deve ser uma data que impulsione as pessoas a presentearem os amigos com um coelho. De acordo com médicos-veterinários, antes desta atitude é preciso avaliar cautelosamente se o presenteado possui estrutura, orçamento e rotina que permitam criar, com bem-estar e saúde, esse animal que vive de seis a dez anos em ambiente doméstico.

Por não se atentarem às necessidades específicas dos coelhos antes de adquiri-los como pets, muitas famílias acabam negligenciando nos cuidados e, pior, abandonando o animal, o que configura crime, previsto na Lei Federal nº 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais).

É muito importante ter tempo para se dedicar ao animal. O ideal oferecer-lhe um espaço que tenha grama para ele poder se exercitar. Além disso, o coelho escolhe o lugar da casa onde ele vai urinar e defecar. É necessário ter um espaço adequado para que ele possa demarcar os locais para dormir, se abrigar e se alimentar.

A criação em gaiola gera sofrimento e contribui para o surgimento de problemas de saúde e comportamentais. Isso porque os coelhos são roedores e saltadores e têm necessidades que não são supridas em recintos pequenos e restritos.

A médica-veterinária Cristina Maria Pereira Fotin, membro da Comissão de Médicos-Veterinários de Animais Silvestres do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), explica que deixá-los em gaiolas causa sofrimento, uma vez que impede que eles se movimentem e locomovam atendendo à sua natureza. "Os coelhos podem apresentar problemas nas articulações, obesidade e desvios de comportamento, como lambeduras que levam a problemas de pele", ressalta a veterinária.

Os coelhos precisam de fibra seca e não digerível para formar fezes e o intestino funcionar direito. A base da alimentação é o feno, complementada com ração e outros itens alimentares. A cultura de que este pet se alimenta basicamente de cenoura não procede.

A tradição do coelho da Páscoa surgiu no século XVI, na Alemanha. Os alemães trouxeram o hábito para a América no século XIX. O animal foi associado à Páscoa porque se reproduz rapidamente e simboliza a fertilidade.

O coelho representa a esperança de uma nova vida. Está associado à capacidade que a Igreja tem de produzir novos discípulos e espalhar a mensagem de Cristo.

A Páscoa é a celebração da Ressurreição de Jesus Cristo, pelos cristãos. A data é comemorada no domingo da Semana Santa, que representa o dia em que Jesus Cristo ressuscitou depois da sua crucificação e, jamais pode ser atribuída a isto a possibilidade do abandono de seres tão inocentes.

Somente quem realmente tem condições de oferecer o amor e o carinho que eles merecem devem ser surpreendido com um presente tão especial. Ter um animal de estimação enche a casa de alegria e ajuda na saúde mental.

Autoria : Vininha F. Carvalho.

Os perigos que o consumo de chocolate pode trazer para os pets


Nenhuma época do ano é tão perigosa para os cães quanto a Páscoa. Embora o chocolate seja tão saboroso e convidativo tanto para os cães quanto para seus tutores, ele contém uma substância conhecida como teobromina, um alcaloide amargo relacionado com a cafeína, que pode ter efeitos perigosos no organismo do animal.

A presença de um chocolate esquecido sobre a mesa ou mesmo alguns pedaços oferecidos ingenuamente aos cães podem causar intoxicação e, até levá-los à morte.

Os cães de porte grande são capazes de tolerar maiores quantidades, mas a regra mais segura é manter todo chocolate fora do alcance do cão, independentemente do tamanho.

Há casos de o cão de repente adoecer, sem ninguém saber o porquê. Quem suspeitaria de algo tão delicioso como o chocolate? Mas, ele é o culpado e, se o socorro não for feito imediatamente, o animal poderá morrer.

Os sintomas dessa intoxicação surgem horas depois da ingestão e são similares àqueles que acompanham muitas infecções gastrointestinais, incluindo vômitos, diarreia, hiperatividade, respiração pesada, ritmo acelerado na batida cardíaca, tremores musculares, distúrbios no controle de bexiga e até o coma. Hemorragia intestinal pode ocorrer em alguns casos, normalmente entre 12 e 24 horas após a ingestão.

A quantidade de teobromina varia de acordo com o tipo de chocolate, a intoxicação vai depender da quantidade ingerida. A dose tóxica de teobromina para cães é em torno de 100-150 mg por kg de peso e a dose letal situa-se entre 250-500 mg por kg de peso.

– Quantidade de teobromina nos diferentes chocolates:

– Semente de cacau: 300 a 1500 mg de teobromina em cada 30 gramas.

– Chocolate líquido bruto (industrial): 390 a 450 mg em cada 30 gramas.

– Chocolate escuro (amargo): 135 mg em cada 30 gramas.

– Chocolate ao leite: 44 a 66 mg em cada 30 gramas.

– Chocolate branco: 0,25 mg em cada 30 gramas.

– Chocolate de confeiteiro em pó: 400 a 737 mg em cada 30 gramas.

As quantidades tóxicas não necessariamente precisam ser ingeridas de uma única vez, já que a teobromina pode permanecer no organismo por até seis dias. Em consequência disso, doses repetidas em dias sucessivos também podem levar à intoxicação.

Outra particularidade da teobromina é o tempo que fica agindo no sangue do animal. Em média permanece por 17 horas, mas pode ficar no organismo por até seis dias, pois sua eliminação não acontece pelos rins, somente por via hepática.

A rapidez com que o tratamento veterinário for procurado é fundamental, podendo este profissional ser capaz de provocar vômito para impedir a absorção massiva de teobromina ou remover a toxina do organismo do animal para evitar o agravamento da situação.

Autoria :  Vininha F. Carvalho 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Decoração de Natal deve ser planejada com muita cautela pelo tutor



O final do ano é um momento festivo que exige planejamento para os tutores de animais domésticos. Algumas pessoas caseiras pretendem mantê-los durante as festas de Natal no conforto do lar. Outras pessoas desejam viajar e precisam decidir se devem levá-los juntos ou não.

Desde a forma como colocá-los no carro para viajar requer um cuidado especial. A utilização da caixa de transportes e dos adaptadores de coleira para cinto de segurança permite uma viagem protegida. 

O hotel onde o tutor realizará a reserva deve ser consultado para saber se aceitam animais nas dependências. Existe, também, a possibilidade de deixar o animal hospedado num local apropriado, que deve oferecer muita dedicação e segurança.

Em casa que tem pet, a decoração de Natal deve ser planejada com muita cautela para evitar acidentes e imprevistos desagradáveis. Árvores repletas de bolas coloridas, luzes piscando, estrelas cheias de pontas, velas, guirlandas e enfeites pendurados ou com movimento chamam muito a atenção de cães e gatos, por isso, na hora de decorar a casa é preciso alguns cuidados para o bem-estar do animal e, principalmente, para que a festa não acabe em uma emergência veterinária. A árvore deve ser fixada em uma base forte para que não tombe quando o gato resolver escalá-la. Não devem ser usadas bolas de vidro, estrelas e enfeites de metal pontiagudos.

Segundo a veterinária Adriana dos Santos, clínica geral da AmahVet, o brilho de alguns itens de decoração natalina são muito atraentes para os animais, que podem querer brincar e acabam danificando os acessórios e, até ingerindo os fragmentos em caso de quebra", alerta a especialista.

Outro item que pode ser perigoso é o pisca-pisca. Os fios elétricos devem ficar fora de alcance, pois o pet pode levar choque, se queimar e até se enforcar. Velas na decoração também não são indicadas para quem tem gato ou cachorro, pois os animais podem derrubar, causando queimaduras e incêndios. As guirlandas ou objetos de pano ou pelúcia, almofadas e itens maiores que não possam ser engolidos ou derrubados, assim como os que não podem se quebrar facilmente são as melhores opções para decorar o ambiente.

Para garantir a tranquilidade, é importante manter os animais de estimação longe da movimentação, em um canto confortável, no qual ele já esteja acostumado e com água fresca. Os convidados jamais devem oferecer guloseimas aos animais, principalmente se ele estiver acostumado somente ao consumo de ração.

Alimentos condimentados, como chester, tender, pernil ou peru, por exemplo, podem causar sérios desarranjos no sistema digestório dos animais. Ossos, caroços e sementes de frutas podem causar engasgos e perfurações. "A uva, por exemplo, pode causar lesões renais e o caroço da cereja contém uma substância que, dentro do corpo, transforma-se em cianeto, um químico venenoso que pode causar intoxicação e prejudicar o transporte de oxigênio celular", explica a Dra. Adriana dos Santos.

Para quem deseja presentear alguém com um filhote, é muito importante consultar o futuro proprietário, se ele deseja realmente ter, cuidar e se responsabilizar pelo animal. A compra impulsiva de certas pessoas e a falta de orientação, associadas aos maus criadores resultam no aumento do número de animais abandonados ou sujeitos a enormes sofrimentos. Um presente muito interessante é oferecer ao amigo um animal adotado, pois agindo assim, estará dando prova que sua amizade é sincera e sem preconceito.

Infelizmente, durante esta época do ano, ocorre um crescente número de incidentes com os cães e gatos, mas evitá-los é fácil, basta agir com os devidos cuidados, evitando que eles fiquem expostos á situações que alterem exageradamente a sua rotina.

Fonte: Vininha F. Carvalho 

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Raiva é uma zoonose que continua fazendo vítimas


A raiva é uma doença infecciosa capaz de ser naturalmente transmitida entre animais e seres humanos. A evolução desta doença é muito rápida após o surgimento dos primeiros sintomas. Apesar de ser conhecida desde a antiguidade, a raiva ainda não tem cura e continua fazendo vítimas. Animais silvestres como morcegos, por exemplo, podem infectar cachorros, gatos, vacas e humanos.

A raiva é causada por vírus do gênero Lyssavirus, da Família Rhabdoviridae. É caracterizada como uma encefalite progressiva aguda, de distribuição mundial, que acomete os mamíferos. Sua transmissão ao ser humano ocorre pelo contato com a saliva de animais infectados com o vírus e, geralmente, a infecção se dá por meio de mordeduras, podendo também ser por meio de arranhaduras ou lambeduras.

Em um primeiro momento, os sintomas podem estar relacionados à depressão, ansiedade, agressividade e demência. Quando a doença se agrava, o animal apresenta dificuldade de engolir, salivação, descontrole muscular e paralisia. Os sintomas aparecem entre dez dias e seis semanas após o animal contrair o vírus da raiva, mas variam conforme o tipo da doença.

O professor. Dr. Sílvio Arruda Vasconcellos, secretário-geral do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), alerta que, em animais, a raiva passou a apresentar sinais diferentes dos observados no passado, o que pode acarretar a identificação tardia da zoonose e uma perda no aspecto preventivo. "A clássica agressividade nos animais infectados não tem sido observada. Já paralisias, salivação e ausência de apetite são sinais considerados mais comuns na atualidade", ressalta o veterinário.

A raiva furiosa era o tipo mais comum. Na primeira fase da doença, chamada de prodrômica e que tem duração de um a três dias, o animal tende a se esconder em locais escuros, a ficar agitado repentinamente, a latir muito, a ser desobediente e a comer tudo o que vê pela frente.

A fase seguinte dura um dia e é aquela na qual a agressividade se manifesta com mais intensidade. O cão pode atacar seu tutor, outros animais e até mesmo se automutilar, provocando ferimentos. Ele também para de comer e de beber água e saliva muito.

A terceira e última fase da doença é a mais crítica, pois o animal começa a sofrer convulsões generalizadas e entra em estado paralítico. Em até 48 horas, ele falece.

Na raiva muda, a diferença é que a segunda fase da doença, de maior agitação e agressividade, não ocorre. O cão fica mais calmo e deprimido, não come e não bebe, mas em pouco tempo sofrerá com as convulsões e paralisias.

Já os sintomas da raiva intestinal, que é a mais rara de todas, são bem diferentes. O animal não apresenta uma mudança brusca de comportamento, mas passa a ter vômitos e cólicas frequentes até a morte, que acontece em apenas três dias.

A população também deve estar atenta aos morcegos. O médico-veterinário Sílvio Arruda Vasconcellos, secretário-geral do CRMV-SP afirma que, no Brasil, foi identificado que o vírus circula entre os que se alimentam de frutas. Eles podem aparecer em residências, ruas e praças, por exemplo. "Estes morcegos podem cair em locais em que transitam pessoas, cães e gatos, o que facilita a ocorrência de mordidas acidentais, por meio das quais pode haver transmissão do vírus", frisa o Dr. Sílvio Arruda Vasconcellos

Segundo a professora Dra. Valéria Gentil de Tommaso, que integra a Comissão Técnica de Políticas Públicas do CRMV-SP e atua no Instituto Pasteur, a mudança no perfil clínico da doença está atrelada ao fato de que, desde 1998, a variante 2 (canina) do vírus rábico não circula. "Houve, apenas casos isolados em cães e gatos, com variantes de morcegos."

De 2002 a 2020, no estado de São Paulo, foram registrados 13 casos de raiva em cães e 20 em gatos. "O número é relativamente pequeno, porém, não podem ser desconsideradas subnotificações ou, ainda, a não detecção de casos, uma vez que houve mudança no perfil clínico da doença", diz a Dra. Valéria Gentil de Tommaso.

A raiva é uma doença cruel e fatal, mas tem prevenção. A aplicação da vacina é indicada para ser realizada anualmente por toda a vida, tanto para cães como para gatos. A antirrábica é a partir de 12 semanas para cães e dos quatro meses em gatos. Uma alimentação balanceada é sempre muito importante: proteínas de alta qualidade, vitaminas C e E, minerais e gorduras boas, como óleo de peixe, estimulam o sistema imunológico a trabalhar mais rápido na produção de células de defesa no organismo.

A vacinação é responsabilidade e dever do tutor. Com o auxílio de um médico veterinário e uma carteirinha de vacinação em dia, seguindo o calendário estabelecido, é possível ter o controle sobre a saúde dos animais de estimação. A vacinação beneficia não só a saúde do animal, mas também previne a disseminação de algumas outras doenças transmissíveis.

Autoria: Vininha F. Carvalho