sexta-feira, 31 de julho de 2020

Viver mais e com maior qualidade de vida aproxima os idosos ao amor incondicional dos animais


O aumento do número de idosos é uma tendência mundial e o Brasil acompanha de perto essa enorme mudança na pirâmide etária. Junto dessa transformação, surgem diversos fatores a serem trabalhados, entre eles, a solidão na velhice. A mudança de padrão de vida e a sensação de perda de utilidade social são gatilhos importantes geradores de depressão e posterior isolamento.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2000, mostrou que a população idosa com mais de 60 anos era de 14,5 milhões de pessoas, teve um aumento de 35,5% diante dos 10,7 milhões em 1991. Hoje esse número ultrapassa os 29 milhões e a expectativa é que, até 2060, suba para 73 milhões com 60 anos ou mais, o que representa um aumento de 160%.

Os idosos que têm independência física e mobilidade preservada preferem, majoritariamente, morar sozinhos a dividir espaço com filhos, pois a autonomia e a liberdade adquirida vêm se mostrando como uma grande colaboração para a manutenção da longevidade. Os animais de estimação, fiéis companheiros, são sempre considerados como grandes aliados para espantar a solidão.

O Brasil lidera os casos de depressão na América Latina. A doença acomete 5,8% da população, ou seja, 11,5 milhões de brasileiros - de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No âmbito global, o número de casos cresceu mais de 18% nos últimos 10 anos. A Pesquisa Nacional de Saúde, conduzida em 2013, apontou que no país, as pessoas com idade entre 60 e 64 anos, início da velhice, são as mais acometidas pelo mal psiquiátrico.

Professores da Universidade de Michigan (EUA) constataram que a busca por um novo amor também serve como um antídoto para a depressão. O amor é o segredo do envelhecimento saudável e feliz.

Segundo pesquisadores de Harvard, um alto nível de satisfação com os relacionamentos aos 50 anos é um indicador de boa saúde física muito mais do que os níveis de colesterol. Pessoas solitárias estão mais sujeitas a uma morte precoce do que aqueles que cultivam fortes laços de amizade e confiança nas suas relações.

Na ausência temporária dos filhos e netos, um cachorro ou um gato podem dar uma carga extra de ânimo aos idosos. De acordo com uma pesquisa publicada pelo National Center Biotechnology Information, dos Estados Unidos, pessoas da terceira idade que têm animais em casa reportam maior bem-estar físico e psicológico.

A médica-veterinária Cristiane Pizzuto, presidente da Comissão Técnica de Bem-estar Animal do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), confirma que o pet é uma ótima forma de companhia. "Muitas vezes o pet acaba exercendo essa função de objetivar a vida do idoso quando ele está sem atividades, pois ele terá que cuidar do pet", analisa.

A interação do animal com o humano é extremamente benéfica, tanto para o idoso quanto ao pet. "Essa relação desencadeia inúmeros processos fisiológicos, liberação de hormônios do prazer, que são essenciais em todas as faixas etárias, em especial na terceira idade. Poder proporcionar alegria ao idoso também gera impactos positivos à saúde do pet", acrescenta a médica-veterinária.

Viver mais e com maior qualidade de vida é a meta, portanto, entender o processo de envelhecimento e as atitudes que podem e devem ser tomadas em busca da felicidade é sempre o melhor caminho.


Fonte: Vininha F. Carvalho - jornalista e editora do Animalivre News.

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